Ponto de Vista: Leonardo
Eu observei a Beatriz se afastar, mas meus olhos voltaram imediatamente para a mesa. A Maya estava lá, fingindo que o mundo não tinha acabado de tremer sob os seus pés. Eu a conhecia. Conhecia aquele jeito de segurar a xícara, de baixar o olhar, de tentar se tornar invisível. O que a Maya parecia não entender — e isso me frustrava e me encantava ao mesmo tempo — era que ela era impossível de ignorar.
Ela não tinha noção do efeito que causava. Sim, a Beatriz era uma modelo internacional, uma beleza esculpida para o flash. Mas as pessoas no terraço não olhavam para a Maya por ela ser "comum". Elas olhavam porque ela exalava algo que o dinheiro não compra: uma força silenciosa, uma determinação que parecia vir das profundezas do mar que ela tanto amava. Ela tinha uma beleza orgânica, uma pele que brilhava com a verdade, olhos que não buscavam aprovação. Ela era magnética justamente por não saber que era.
Eu precisei agir. Ajoelhei-me ao lado dela, ignorando o Mar