Ponto de Vista: LeonardoA turnê era uma montanha-russa. Palcos gigantescos, hotéis impessoais, aeroportos lotados e a adrenalina de ver dezenas de milhares de pessoas cantando minhas músicas. Eu entregava tudo ali, no palco. Aquele era o meu templo, meu lugar de poder. Mas a verdade é que, depois do show, no silêncio do camarim, a única coisa que eu queria era a tela do meu celular.As videochamadas com a Maya eram meu porto seguro. Eu via o sorriso dela, o brilho nos olhos que me contava sobre a pousada, a casa, o corpo que ela estava esculpindo na academia. E me contava também sobre os flertes.— Tinha um tal de Gustavo na academia hoje, Leo. Me chamou pra um café — ela me disse, com um tom de voz que não era de preocupação, mas de relato.— E você? — perguntei, sentindo um arrepio de ciúmes, um resquício primitivo do homem que eu ainda era.— Eu disse que meu coração e meu tempo já tinham dono — ela respondeu, com aquela segurança que me deixava louco. — Não se preocupa. Eu sei o
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