Ponto de Vista: Leonardo
O barulho do estádio ainda era um zumbido persistente nos meus ouvidos quando a porta da suíte presidencial se fechou, isolando o mundo lá fora. A adrenalina é uma amante cruel; ela te joga no topo do mundo e, segundos depois, te deixa trêmulo, buscando um lugar para cair. Eu estava exausto, com os músculos da face doendo de tanto sorrir para luzes cegantes, mas meu corpo ainda vibrava na frequência da Maya.
Eu precisava me livrar daquele personagem. Tirei a jaqueta de couro, sentindo o peso do "Leonardo Veronese" ficar pelo chão da sala. Caminhei até o banheiro, onde o vapor já começava a embaçar os espelhos imensos, criando uma névoa que parecia o nevoeiro matinal de Porto do Silêncio.
Quando entramos na banheira de mármore, o choque da água quente contra a minha pele exausta foi quase espiritual. Mas o que realmente me trouxe de volta à vida foi o toque da Maya. Ela se sentou entre as minhas pernas, e eu enterrei meu rosto na curva do seu pescoço, aspirando