Ponto de Vista: Leonardo
O dia em Porto do Silêncio correu naquela cadência lenta que eu aprendi a amar, mas meus nervos estavam em uma frequência diferente. Eu estava ansioso. Ver a Maya sair da pousada naquela manhã, com um misto de irritação e determinação nos olhos, foi como ver alguém indo para um campo de batalha interno. Eu sabia que aquele "dia de princesa" não era sobre luxo; era sobre ela recuperar o território que a fofoca e o medo tinham roubado.
Passei a tarde tentando gastar a energia. Corri pela faixa de areia úmida até os meus pulmões arderem com o ar salgado. O suor limpava a tensão do show de São Paulo, mas não a expectativa pelo que estava por vir. No meio do caminho, parei, ofegante, e atendi o celular. Era o Marcos.
— Leo, os convites estão confirmados. Mesa principal. A imprensa está especulando sobre quem é a sua acompanhante. Você tem certeza de que quer fazer isso? — a voz dele soava como um ruído distante de outra galáxia.
— Eu nunca tive tanta certeza de nad