Ponto de Vista: Maya
O barulho de São Paulo é uma entidade física. Quando a porta do carro se abriu diante do teatro na região da Paulista, eu senti como se estivesse mergulhando em um oceano de eletricidade. O clarão dos flashes era constante, uma metralhadora de luz que tentava cegar qualquer tentativa de manter o foco. Por um segundo, meu instinto foi o de sempre: baixar a cabeça, esconder o rosto, desaparecer.
Mas a mão do Leo estava na minha. E o peso do vestido verde-petróleo no meu corpo não era um disfarce; era uma armadura.
Eu estava insegura, sim. Cada fibra do meu ser gritava que eu era uma intrusa naquela constelação de celebridades e rostos esculpidos. Mas eu me mantive firme. Caminhei pelo tapete vermelho sentindo os olhares famintos da imprensa. As perguntas vinham como flechas: "Maya, quem é você?", "É verdade que você é o motivo do hiato dele no Rio?". Eu respondi apenas o necessário, mantendo a voz calma, embora meu coração batesse contra as costelas como um pássaro