O baile se aproximava do fim com a mesma elegância calculada com que começara.As luzes do salão foram suavizadas pouco a pouco, douradas, quase íntimas.A música perdeu o tom exuberante e assumiu um ritmo mais lento, mais contido — como se até os instrumentos soubessem que aquela noite havia ido longe demais.Valentina permanecia sentada à mesa da família Montenegro, a postura impecável, as mãos repousando com delicadeza sobre o colo.Por fora, ninguém diria que algo havia mudado.Por dentro… tudo estava diferente.Ela sentia o peso daquela noite nos ombros: o beijo, o brinde, o leilão, o colar, a conversa interrompida na pista de dança.Era como se cada momento tivesse sido empilhado com cuidado demais para simplesmente ser ignorado.Rafael, do outro lado da mesa, conversava com dois empresários italianos.A voz baixa.O tom seguro.O olhar atento.Nenhum sinal de abalo.Ele sorria quando necessário. Respondia com precisão. Dominava o ambiente como sempre.Quando o último prato foi
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