O carro avançava pelas ruas com a mesma discrição do restaurante que haviam deixado para trás.
Nenhuma música.
Nenhuma ligação.
Apenas o som contido do motor e o vidro isolando o mundo externo.
Valentina observava a cidade pela janela, mas sua mente ainda estava à mesa do almoço.
Rafael, ao lado dela, mantinha a postura habitual: corpo relaxado, olhar atento, pensamentos organizados.
Não falava por impulso.
Esperava.
Ele sabia reconhecer quando algo ainda estava sendo digerido.
Foi ele quem quebrou o silêncio.
— Quero entender o que disse antes.
Valentina virou o rosto na direção dele.
— Porque o senhor Yamamoto não levou duas mulheres à mesa por acaso.
Rafael manteve a expressão neutra.
— Muitas vezes, acompanhantes fazem parte do protocolo.
Ela sorriu de canto.
— Protocolos não levam mulheres jovens para mesas estratégicas sem função definida. — disse. — Muito menos quando não são parentes.
Ele a observou com mais atenção.
— Continue. — pediu.
Valentina respirou fundo, organizando o