Valentina passou a manhã inteira andando pelo quarto.
Não conseguia sentar. Não conseguia se concentrar.
O número martelava na cabeça como um relógio quebrado.
Cinco milhões.
Era sempre o mesmo. Imutável. Cruel.
Ela abriu o aplicativo do banco mais uma vez, mesmo sabendo exatamente o que encontraria.
1.650.000.
Era tudo. Não haveria mais. Não em quinze dias. Não em quinze meses.
— Não é sobre pagar… — murmurou, passando a mão pelos cabelos. — É sobre parar.
Parar a chantagem. Parar o medo. Parar o nome Diniz sendo usado como arma.
Respirou fundo antes de ligar.
Rogério atendeu no terceiro toque.
— Resolveu aparecer agora? — a voz veio carregada de desprezo. — Demorou.
— Quero conversar. — Valentina respondeu, tentando manter o tom firme. — Sem ameaças.
— Ameaça é o que você me deve. — ele riu. — Onde?
Ela marcou o local.
Desligou com o coração acelerado.
O café era discreto demais para alguém como Rogério. Mas ele estava lá.
Bem vestido. Postura relaxada. O ar de quem ainda se acha do