A manhã nasceu clara demais para um dia que ainda carregava resquícios da noite anterior.
Valentina acordou cedo.
Não por obrigação. Nem por hábito.
Acordou porque o corpo já estava desperto antes da mente permitir descanso completo.
Ficou alguns segundos deitada, encarando o teto, tentando entender por que aquela sala da ala sul insistia em voltar em fragmentos — o espaço amplo, o silêncio, o toque breve demais para ser esquecido.
Não pensou no beijo. Porque ele não existiu.
Pensou no gesto. No cuidado inesperado. Na mão de Rafael afastando uma mecha de cabelo com uma precisão que não combinava com ordens nem contratos.
— Foi só isso… — murmurou para si mesma, sentando na cama.
Mas o corpo discordava.
Vestiu-se com calma. Nada estratégico. Nada calculado. Um vestido simples, discreto, como se quisesse neutralizar qualquer resquício de intensidade que ainda a acompanhava.
Quando desceu para o café da manhã, a mesa já estava posta.
Vittória estava sentada à cabeceira, impecável como se