O almoço avançava com a precisão silenciosa de algo muito bem ensaiado.
Não havia pressa.
Não havia ruído.
E, ainda assim, tudo ali era movimento.
Valentina percebeu cedo:
não estavam interessados apenas em Rafael Montenegro.
Estavam interessados nela.
Hana foi a primeira a puxar conversa.
Não de forma invasiva.
Não direta demais.
Do jeito certo.
Hana levou a taça aos lábios, observando o casal por cima da borda de cristal.
— Posso perguntar algo mais pessoal? — disse, com um sorriso leve.
— Claro. — Valentina respondeu.
— Onde vocês se conheceram?
Valentina ia responder.
Mas Rafael falou antes.
— Em Harvard. — disse, com naturalidade.
Todos os olhares se voltaram para ele.
— Ela estava defendendo uma tese empresarial. — continuou. — A postura. A convicção. A forma como sustentava cada argumento… foi isso que me chamou atenção.
Ele virou o rosto para Valentina.
E, pela primeira vez desde que haviam se sentado à mesa, não parecia apenas estratégico.
Valentina sustentou o olhar dele po