Rafael não foi para o quarto.
Assim que Valentina fechou a porta, ele permaneceu alguns segundos parado no corredor, os pensamentos alinhados demais para quem deveria estar cansado.
O celular vibrou no seu bolso.
Ele atendeu sem dizer o nome.
— Fale.
A voz de Moreira veio baixa, tensa:
— Senhor… Ela está no armazém antigo. Como o senhor ordenou.
Rafael não demonstrou surpresa.
— Estou a caminho.
Desligou.
Pegou as chaves. Não levou casaco. Não avisou ninguém.
O carro saiu da propriedade Montenegro como uma sombra — silencioso, rápido, definitivo.
O armazém era frio.
Concreto cru. Luz branca demais. Sem janelas.
Isabella estava sentada em uma cadeira metálica, as mãos amarradas à frente do corpo, o vestido de gala agora amassado, os olhos vermelhos de choro e confusão.
Ela gritava.
— EU QUERO FALAR COM MEU PAI!
— ISSO É UM ENGANO!
— EU VOU PROCESSAR TODO MUNDO AQUI!
Um dos homens apenas fechou a porta.
O som ecoou.
Ela tremeu.
Minutos depois, passos firmes ecoaram pelo galpão.
Isabella