CAPÍTULO 69 — O QUE O CORPO LEMBRA

Rafael voltou para casa mais tarde do que o habitual.

Não porque o trabalho exigira mais — exigira menos do que deveria, inclusive —, mas porque a mente dele se recusava a desacelerar. O dia tinha deixado resíduos. Pequenos detalhes fora do lugar. Variáveis não controladas. Silêncios que não fechavam conta.

Subiu as escadas sem pressa.

O corredor estava quieto demais para o horário. A mansão respirava aquele silêncio profundo que só existe quando Vittória já havia se recolhido e os funcionários circulavam apenas pelo essencial.

Rafael empurrou a porta do quarto de Valentina.

Vazio.

A cama intacta. A luz apagada. Nenhum sinal de presença recente.

Ele franziu levemente a testa.

Não era preocupação.

Era estranhamento.

Saiu do quarto e chamou uma das funcionárias que atravessava o corredor com passos discretos.

— A senhora Montenegro? — perguntou, direto.

— Está na ala sul, senhor. — respondeu a mulher, sem hesitar. — Na sala antiga.

Ala sul.

Rafael ficou imóvel por um segundo.

Aquela par
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