Rafael voltou para casa mais tarde do que o habitual.
Não porque o trabalho exigira mais — exigira menos do que deveria, inclusive —, mas porque a mente dele se recusava a desacelerar. O dia tinha deixado resíduos. Pequenos detalhes fora do lugar. Variáveis não controladas. Silêncios que não fechavam conta.
Subiu as escadas sem pressa.
O corredor estava quieto demais para o horário. A mansão respirava aquele silêncio profundo que só existe quando Vittória já havia se recolhido e os funcionários circulavam apenas pelo essencial.
Rafael empurrou a porta do quarto de Valentina.
Vazio.
A cama intacta. A luz apagada. Nenhum sinal de presença recente.
Ele franziu levemente a testa.
Não era preocupação.
Era estranhamento.
Saiu do quarto e chamou uma das funcionárias que atravessava o corredor com passos discretos.
— A senhora Montenegro? — perguntou, direto.
— Está na ala sul, senhor. — respondeu a mulher, sem hesitar. — Na sala antiga.
Ala sul.
Rafael ficou imóvel por um segundo.
Aquela par