O escritório de Rafael era todo vidro, aço e silêncio.Um lugar que deixava qualquer um desconfortável.Menos Isabella Moretti.Ela entrou como se entrasse num camarim.Bolsa pendurada no ombro, perfume doce demais para um ambiente sério, batom rosado e aquele olhar de quem ensaiou a expressão no espelho antes de sair de casa.— Rafa… — ela chamou, com voz de algodão doce estragado. — Posso?Rafael nem levantou os olhos do contrato.— Não.Isabella sorriu mesmo assim.Porque Isabella não sabia perceber limites — apenas ignorar.Ela entrou, fechou a porta devagar, como quem faz parte da vida do homem ali dentro.Chegou até a mesa e se inclinou, exibindo a postura de “sou frágil e especial”.— Eu fiquei tão triste esses dias… — ela começou, suspirando como atriz de novela das seis. — Você não foi me ver no hospital. Eu fiquei tão assustada. Eu achei que tinha te magoado… eu achei que—— Isabella. — Rafael cortou, voz baixa, precisa, perigosa. — Saia.Ela travou só por um instante, mas l
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