Valentina fechou a porta do próprio quarto.
Não era exatamente um lar — era um lugar neutro, caro, silencioso demais.
Uma mesinha lateral, que ela mesma tinha arrastado para perto da janela, servia agora como escritório improvisado.
Notebook aberto.
Pilha de papéis ao lado.
Uma caneca de chá fria esquecida.
Ela sentou.
Respirou.
A lista de contatos no celular brilhava como um desfile de memórias que, antes, davam orgulho.
Agora… pareciam cordas cortadas.
Apertou o primeiro nome.
1ª ligação — Dr. Alexandre Prado
— No momento não posso atender… deixe seu recado após o sinal…
Desligou antes do bip.
Sinal número um.
Tentou outro.
2ª ligação — Mariana Portela
— Val! Quanto tempo!
Valentina até sorriu. Por segundos.
Mas quando explicou o motivo da ligação…
— Ah… Val… complicado. Estamos com equipe fechada. E, com toda essa… exposição… seu nome está muito comentado. Não acho prudente associarmos agora.
— Entendi. Obrigada.
Não entendia.
Mas agradecia.
Sinal dois.
3ª ligação — Paulo Menezes
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