O motorista estacionou diante do prédio antigo da Universidade de Direito de São Paulo.
Valentina respirou fundo antes de descer.
Roupa simples.
Cabelo preso.
Pulsação rápida demais para alguém que “só veio pegar documentos”.
O campus parecia exatamente igual — e completamente diferente.
O mesmo portão antigo, as mesmas colunas gastas pelo tempo… e, ainda assim, Valentina se sentiu como uma intrusa caminhando entre lembranças que não eram mais dela.
Nunca tinha percebido o quanto a universidade era barulhenta: risadas ecoando, passos rápidos, mochilas batendo nas costas, vozes discutindo jurisprudência como se o mundo fosse simples.
Ela parou por um instante no pátio central.
E reconheceu o banco onde passou madrugadas estudando para Moot Court.
O corredor onde chorou depois da primeira prova oral.
A janela onde recebeu o e-mail de aprovação para Harvard.
Parecia outra vida — porque era.
A Valentina que tinha caminhado ali era firme, afiada, inquebrável.
A de agora… respirava como que