O restaurante parecia ter sido desenhado para lembrar a quem entrava que dinheiro existia para ser exibido.
Luzes baixas, quentes, refletidas em cristais pendentes como pequenas estrelas domesticadas. Mesas espaçadas, guardanapos de linho engomados, talheres que brilhavam mais do que as joias em alguns pescoços. O tipo de lugar em que garçons não andavam — deslizavam.
Vittória Montenegro já estava ali quando Isabella chegou.
Sentada à mesa próxima à janela, de frente para a cidade iluminada, ela girava a taça de vinho branco entre os dedos longos, observando o líquido dançar com a mesma calma com que observava o mundo desmoronar quando era conveniente.
O vestido dela era de um verde profundo, tecido caro que abraçava a cintura com elegância. Os cabelos presos num coque perfeito, brincos discretos demais para o valor que tinham. Em Vittória, nada destoava. Nada era exagerado. Nada era inocente.
Isabella apareceu na entrada como um pequeno furacão mal contido.
Salto alto, vestido justo