CAPÍTULO 33 — Uma proposta.
Longe dali no salão da Casa de Chá Windsor tudo era feito de luz dourada, madeira escura e silêncio caro.
Era o tipo de lugar onde ninguém discutia.
Ninguém levantava a voz.
Ninguém ousava ser pobre.
E justamente por isso, Vittoria Montenegro estava ali.
Sentada à mesa da janela, luvas finas, joias discretas, xícara de porcelana pousada com precisão cirúrgica.
Ela nem precisava olhar quando a porta abriu.
Reconhecia aquele andar covarde de longe: passos curtos, apressados e ansiosos.
Rogério Diniz.
Ele parecia desconfortável demais naquele ambiente — como um animal selvagem jogado num palácio.
— Vittoria… — ele cumprimentou, forçando um sorriso. — Sempre um prazer.
— Não minta, Rogério. — ela disse, sem levantar os olhos. — Você não sabe se comportar nesse tipo de lugar.
Ele travou a mandíbula, mas sentou.
Vittoria fez um gesto leve para a garçonete.
— Um Darjeeling para ele. Fortíssimo. Ele precisa de caráter. — disse.
A garçonete se retirou, sem sequer piscar.
Rogério limpou a garg