A manhã seguinte começou antes mesmo do sol nascer.Clara acordou com o celular tocando, vibrando, acendendo — uma enxurrada de mensagens, ligações perdidas, e-mails, notificações de redes sociais.Henrique já estava de pé, no escritório, falando ao telefone com a equipe jurídica. A porta, embora fechada, deixava escapar pedaços de frases que denunciavam exatamente o tipo de tempestade que vinha lá fora.Quando Clara entrou no escritório, Henrique estava parado diante da janela, a camisa ainda aberta no topo, o cabelo bagunçado de preocupação, o celular pressionado contra o ouvido.— …não, não vamos esperar. Quanto mais tempo deixarmos o silêncio, mais eles inventam. — Pausa. — Sim, eu quero uma coletiva. Hoje. Às quatro da tarde.Outra pausa.— Eu vou falar. Pessoalmente. E Clara não vai aparecer. Eu não vou expor ela a isso.Clara sentiu um aperto no peito.Henrique virou na mesma hora, percebendo sua presença.— Eu te acordo? — ele murmurou, desligando o celular.— Não. Já estava a
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