O sol já se punha quando Clara e Henrique voltaram para casa.
Era a primeira vez, em muito tempo, que ela sentia o peito desinflar.
O mundo lá fora continuava em movimento, a mídia continuava especulando, a investigação continuava andando — mas algo dentro dela estava silencioso.
Arthur tinha assumido sua culpa.
A verdade estava nas mãos da polícia.
E a sombra do passado parecia perder força.
Henrique fechou a porta do apartamento com um suspiro profundo, como se tivesse carregado o peso de três vidas ao mesmo tempo.
Clara o observou por alguns segundos.
Ele se aproximou devagar, como quem precisa tocar antes de acreditar.
— Você está bem? — ele perguntou, encostando a testa na dela.
— Estou — ela respondeu com convicção. — Depois de muito tempo, posso dizer que estou.
Henrique sorriu, um sorriso cansado e bonito, o tipo de sorriso que amolecia qualquer camada de dor.
— Eu prometi que ia te proteger disso.
— Você fez mais do que isso — Clara corrigiu, segurando sua camisa. — Você me p