A manhã seguinte chegou com uma luz suave atravessando as cortinas.Clara acordou antes de Henrique, ainda aninhada contra o peito dele, sentindo o calor, o ritmo calmo, o descanso que só vinha quando o corpo se permitia existir sem medo.Era estranho —estranho e lindo —acordar sem um peso esmagando o coração.Sem o fantasma do passado tentando arrancá-la das próprias escolhas.Henrique abriu os olhos devagar, e um sorriso surgiu no canto da boca, preguiçoso, íntimo, só dela.— Bom dia, amor — ele murmurou, com a voz grave e rouca do sono.Clara sorriu, tocando de leve o rosto dele com a ponta dos dedos.— Bom dia.— Dormiu bem?— Melhor do que em semanas.Ele a puxou mais para perto, beijando sua nuca.— Eu também.Por um instante, ficaram ali, apenas respirando.Sem pressa.Sem urgência.Sem interrupções do mundo lá fora.Mas logo o celular de Henrique vibrou na mesa de cabeceira — uma única vez, insistente, mas discreta.Henrique esticou o braço e pegou o aparelho.Clara observou
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