JÚLIA*Não adiantou confrontá-lo. Eu já tinha entendido que, quanto mais eu tentasse, mais ele faria questão de me mostrar o quão pequena eu era diante do poder dele. Era como bater contra uma muralha: eu só me machucava, e ele nem se abalava.No fim, não tive outra escolha a não ser obedecer. Me vesti como ele mandou, respirei fundo, peguei minhas coisas e fui atrás dele. Saímos da suíte em silêncio. Eu caminhei alguns passos atrás, como se estivesse sendo arrastada pelo próprio destino. Entramos no corredor, depois no elevador.O silêncio era quase mortal. Eu sentia minha respiração presa no peito, a tensão se acumulando nos meus ombros, o medo pulsando nas minhas veias, e ainda assim havia também raiva. Uma raiva quente, fervente, que queimava junto com a humilhação de ser tratada como algo pertencente a ele.Quando o elevador abriu, caminhamos pelo salão. A recepcionista levantou os olhos, e o olhar dela me atravessou como uma faca: pena. Era como se ela soubesse exatamente o qu
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