CAPÍTULO 46

CAPÍTULO 46

SHEIK

*

Entramos no elevador, e o silêncio entre nós parecia feito de ferro. Pesado. Inquebrável. Júlia mantinha os braços cruzados, o olhar preso ao painel de números, como se aquela simples luz vermelha pudesse salvar ela de mim. Eu, por outro lado, não tinha nada a dizer. As palavras sempre foram uma ferramenta para controlar, para ordenar, para impor. Nunca para explicar. Explicações criam brechas. E com Júlia, qualquer brecha poderia virar um terremoto.

Quando as portas se abriram e caminhamos até a recepção, percebi que ela diminuiu o passo. Parou. Ficou ali, como se tivesse cravado os pés no chão. Virei para ela, irritado, e perguntei o motivo dela ter parado, até que vi seus olhos, observadores, firmes. E percebi que vinha pergunta.

Não era qualquer pergunta.

Aquela que eu sempre temi ouvir um dia, mas que nenhuma mulher jamais teve coragem ou inteligência o suficiente para formular.

“Por que não tem hóspedes aqui?”

Eu sabia que, cedo ou tarde, ela perceberia. Júli
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