CAPÍTULO 46
SHEIK
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Entramos no elevador, e o silêncio entre nós parecia feito de ferro. Pesado. Inquebrável. Júlia mantinha os braços cruzados, o olhar preso ao painel de números, como se aquela simples luz vermelha pudesse salvar ela de mim. Eu, por outro lado, não tinha nada a dizer. As palavras sempre foram uma ferramenta para controlar, para ordenar, para impor. Nunca para explicar. Explicações criam brechas. E com Júlia, qualquer brecha poderia virar um terremoto.
Quando as portas se abri