Caminhei pelos corredores do palácio em passos largos, firmes, sentindo a raiva pulsar em cada veia do meu corpo. O som do meu calçado ecoava contra o mármore polido, mas ninguém ousava cruzar meu caminho.
Os servos permaneciam cabisbaixos, imóveis, como se minha presença fosse uma tempestade anunciada. Nenhum deles se atreveu a perguntar algo, e aquilo era bom. Eu não estava disposto a explicar nada.
Empurrei a porta da suíte conjugal e a fechei atrás de mim com força suficiente para fazer o som reverberar pelas paredes.
Laura andando de um lado para o outro parou imediatamente quando me viu.
Os olhos dela estavam vermelhos, inchados, denunciando o choro. Aquilo não me comoveu como deveria. Naquele momento, tudo o que eu sentia era frustração.
— Agora já chega.
Falei, a voz seca, carregada de autoridade.
— Chega desse teatro.
Ela me encarou em silêncio, o peito subindo e descendo rápido, como se estivesse se preparando para uma batalha.
Me aproximei alguns passos.
— Você tem ignora