O silêncio voltou como um tapa. Um lembrete afiado de que o único motivo de Júlia estar sentada no carro, respirando o mesmo ar que eu, era porque eu estava obrigando. Porque eu era a única força mantendo ela ali. E, por mais que eu odiasse admitir, aquela constatação me incomodava de um jeito que eu não sabia administrar.
Eu odiava a sensação de incômodo. Odiava sentir qualquer coisa que não fosse certeza, controle ou domínio. Sentir desconforto por causa de uma mulher era, para mim, uma das maiores humilhações que eu poderia experimentar.
Mas, apesar disso, a sensação de poder sobre ela ainda vencia todas as outras. Ainda se impunha como o pilar mais sólido dentro de mim.
Olhei para ela novamente. Ela estava com o queixo erguido, tentando fingir força, tentando fingir que não tremia por dentro. E aquela teimosia, aquela coragem incompreensível, me inflamava.
Sem desviar os olhos, ordenei que tirasse a roupa.
Não pedi. Não sugeri. Ordenei.
A ordem saiu da minha boca não apenas para i