Caminhei até a cama e me sentei, sentindo o peso das decisões esmagarem meus ombros.
Meu palácio nunca pareceu tão silencioso, tão opressor. As paredes que sempre me protegeram agora pareciam testemunhas de um fracasso que eu não queria admitir. Passei as mãos pelo rosto, respirando fundo, tentando domar o turbilhão que se formava dentro da minha cabeça.
— Você disse, na frente de todos, que se eu tornasse Júlia minha segunda esposa, pediria o divórcio.
Comecei, sem levantar a voz.
— Posso concedê-lo amanhã mesmo, Laura. Sua ameaça não muda minha intenção.
Ela estava de pé, alguns passos à minha frente. Caminhou até mim e parou tão perto que pude sentir sua respiração. O semblante dela não era apenas de dor; era de ódio contido, duro, afiado como lâmina.
— Para você é muito fácil dizer isso.
Retrucou.
— Não é você quem será julgada como a mulher descartada pelo marido.
A voz dela vacilou por um segundo e depois se firmou.
— No Brasil, eu teria fracassado em um casamento. Mas você