Eu sempre fui um homem equilibrado.
Calmo.
Racional.
Do tipo que observa o tabuleiro inteiro antes de mover uma única peça.
Sempre foi assim.
Mas desde que Júlia entrou na minha vida, ou melhor, desde que eu a arrastei até aqui, sem pedir permissão a ninguém, as minhas bordas começaram a desmoronar. A minha precisão desapareceu, minha lógica cedeu espaço a impulsos que eu desconhecia, e o controle absoluto que sempre foi minha marca… começou a se tornar uma farsa.
Eu sabia disso.
E, mesmo percebendo, não fiz nada para impedir.
O certo seria esperar Laura voltar.
O certo seria conversar com ela.
Informá-la da chegada da nova concubina, era esse o termo que eu usaria, e administrar o impacto emocional que isso causaria.
Era o que um homem sensato faria.
Mas eu não era sensato naquele dia, nem estava sendo na última semana.
Eu simplesmente peguei as chaves do carro, dei ordem para prepararem minha escolta, e fui buscar Júlia no hotel sem avisar ninguém.
Por quê?
Nem eu sei ao certo.
Talv