Pisquei algumas vezes, tentando lembrar onde estava, até que o cheiro suave das flores frescas na mesa de cabeceira voltou como um lembrete carinhoso da noite anterior. Ao lado do arranjo, um bilhete dobrado me esperava. Ainda meio enroscada no lençol, estiquei a mão e puxei o papel. Um bonequinho de palito, cabelo bagunçado e um “Zzzz” gigante saindo da boca. A letra dele no canto: “Não sou artista como você, mas tentei. Bom dia, dorminhoca. – L.” O riso escapou antes que eu pudesse segurar. Eu abracei o bilhete contra o peito por um instante, sem conseguir evitar o calor bobo que subiu pelo meu pescoço. Lorenzo Castellani, o homem que sempre andava como se fosse dono do ar ao redor, tinha parado para fazer isso. Pra mim. Sentei ainda devagar, o corpo estava dolorido, não só pelo cansaço do evento mas pela noite anterior que havia sido tatuada em mim. Não só o toque, mas a maneira como ele me olhava antes de cada gesto, como se pedisse permissão em silêncio. Como se quisesse gara
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