Capítulo 17

Voltar para casa foi como entrar em um corpo estranho.

Tudo estava ali: o sofá com as almofadas, a caneca esquecida na pia, o cheiro de lavanda no corredor.

Mas era como se nada mais me pertencesse.

Como se eu tivesse deixado uma parte de mim em um daqueles quartos de hotel, entre um prato de massa e as confissões da madrugada.

Deixei a mala encostada na parede e desabei no sofá. O silêncio da casa bateu como um soco. Silêncio demais. Nos últimos dias eu tinha me acostumado com o burburinho dos eventos, o som abafado dos saltos nos corredores, e… a voz dele. Sempre ele.

Suspirei fundo, levando as mãos ao rosto. “É melhor assim”, tentei repetir mentalmente. Mas não era só sobre o risco de prejudicar o meu trabalho. Era sobre mim. Sobre me envolver de novo com alguém depois de anos sozinha. Sobre essas merdas de feridas que eu carrego. As mesmas que eu jurava que haviam se fechado no momento em que me abri pra ele.

Eu sei o que é ser enganada.

Sei o que é
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