— Tô morta de fome e eu não via a hora de tirar esses sapatos. — Quebrei o silêncio, rindo baixo enquanto arrancava os saltos dos pés ali no meio do corredor.
— Serviço de quarto? — ele sugeriu. — Tem uma massa aqui excelente.
Sorri. Era a proposta mais sensata e mais acolhedora do mundo. Nós dois, comendo massa no meio da madrugada… cena digna de um filme romântico barato — mas que, por alguma razão, parecia me colocar no lugar certo.
— Tudo bem, só vou tomar um banho rápido, pode ser? — falei, cobrindo um bocejo.
— Claro. Eu te espero aqui mesmo. — respondeu, entrando no meu quarto como se aquilo já fizesse parte de uma rotina.
Ele largou a gravata na poltrona, arregaçou as mangas da camisa e parecia… a vontade, como se já tivesse feito isso uma centena de vezes.
Peguei o roupão e fui para o banheiro, fechando a porta rápido demais.
Por um instante, fiquei ali parada diante do meu próprio reflexo.
— O que é que eu tô fazendo? — sussurrei, balançando a cabeça.
Meu chefe, sen