Acordamos tarde, como se o corpo tivesse decidido que, depois da madrugada que tivemos, ele tinha direito a ignorar qualquer despertador. Quando abri os olhos, Lorenzo já não estava ao meu lado — mas o cheiro de café fresco denunciava onde ele tinha ido.
Encontrei-o encostado na porta, com o blazer pendurado no antebraço e uma bandeja enorme sobre a mesa.
— Bom dia, dorminhoca. — Ele sorria daquele jeito que dava vontade de deitar novamente só pra continuar sendo olhada assim.
Meu cabelo estava uma tragédia. Literalmente um ninho. Me escondi no lençol por reflexo.
— Você acorda assim sempre? — perguntei, arrastando as palavras. — Com essa cara de editorial?
Ele deu uma risadinha baixa.
— Costume. Mas hoje… — aproximou-se, tocando minha bochecha com as costas dos dedos. — Hoje eu preferia ficar aqui, vendo você assim.
Tomamos café na cama. Ele comeu croissant com a mesma postura impecável de sempre, mesmo sem ter dormido quase nada. Tinha pequenas olheiras que o deixavam perigosa