Voltar para casa foi como entrar em um corpo estranho.
Tudo estava ali: o sofá com as almofadas tortas, a caneca esquecida na pia, o cheiro de lavanda no corredor.
Mas era como se nada mais me pertencesse.
Como se eu tivesse deixado partes de mim espalhadas por quartos de hotel, entre um prato de massa e a respiração dele encostada na minha nuca.
Larguei a mala no canto e me joguei no sofá.
O silêncio da casa caiu como um peso—aquilo não era paz. Era ausência.
Nos últimos dias eu tinha m