Saulo PradoE eu me desabava ali, vendo meu pai esperar por uma resposta, uma explicação, uma desculpa. As lágrimas caiam, não só de dor, mas de ódio, de culpa, de impotência. Agora estava claro, eu era neto de um monstro.- Aqueles vídeos, pai... aquele vídeo mostrava você. Não... não pode ser... você estava forçando aquela mulher, você estava... - As palavras se perdiam na boca de Fernando. O raciocínio falhava, a voz se quebrava. Ele olhou para Otávio, mas o velho permanecia intocado, impenetrável às perguntas e sentimentos do próprio filho. - É mentira, não é, filho? - Fernando voltou-se para mim, mas eu apenas passei a mão pelos cabelos, negando. Mordi o lábio inferior ao ver a dor torcer o rosto dele.- Então você não sabia? - Perguntei, incrédulo. E vi meu pai negar, baixar os olhos para o chão, até buscar o olhar do próprio pai. No rosto dele havia confusão, descrença, quase um êxtase de desespero.- Não pode ser... você não pode ser aquilo... O vídeo que me mostraram, aquela
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