Saulo PradoSeis anos. Parece pouco quando dito assim, mas dentro de mim foi uma eternidade. Dois anos de preparação para me tornar juiz, quatro anos de substituições, malas, deslocamentos, noites em hotéis, cidades diferentes, sem nunca ter um lugar para chamar de meu. Agora, sentado atrás do volante, finalmente havia uma direção fixa: juiz titular da comarca de Santa Verena, uma cidade mineira escondida entre serras e silêncio. Dizem que a vida aqui corre mais devagar. Talvez fosse exatamente disso que eu precisava.À minha direita, Frantesca mantinha os olhos perdidos na janela. O reflexo dela no vidro me mostrava o mesmo que eu já sabia: cabelos escuros, curtos, cacheados, elegância e aqueles olhos que, mesmo firmes, carregavam sempre um peso. Ela nunca lidou bem com mudanças, nem com as idas e vindas de cidade, nem com as da vida. Mas pelo menos agora, seria definitivo.No banco de trás, minha mãe parecia ter rejuvenescido. Dona Laura não parava um minuto. A cada esquina, a cada
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