Saulo Prado Olhei para a cama vazia, os lençóis amarelos esticados, sem um sinal de desordem. Ela estava deliberadamente arrumada, como minha vida, lisa, parada, sem vestígios de tempo.O celular vibrou no bolso. Respirei fundo antes de pegá-lo. Na tela, o nome "Amor" surgiu, um nome que eu mesmo coloquei.- Oi, querida? Está pronta? - falei, com a voz mais animada do que realmente me sentia.- Sim, amor. Você já está vindo? - respondeu, e pude ouvir algo arrastando ao fundo.- Sim, a caminho. Já chego.Desliguei e olhei para a cama novamente, mas desta vez meus olhos não se demoraram nela. Peguei minha mochila e saí do quarto, descendo as escadas.Rosilda me observava na cozinha.- Já vai, menino? - perguntou.- Sim - afirmei, e ela se aproximou, olhando-me nos olhos.- Que Deus te abençoe e proteja.Ri, vago, Deus já parecia ter se esquecido de mim a algum tempo.- Segunda volto, Rosi. Relaxa, tá?Ela assentiu, mas eu sabia que ficaria me observando até eu desaparecer pela porta. N
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