Capítulo 16 — A verdade que Sr. Marcus escondia
Milena olhava para Alerrandro como se buscasse coragem no contorno do rosto dele. Seus olhos percorriam cada traço, a linha firme do maxilar, o franzir das sobrancelhas, a tensão contida nos lábios. Por dentro, era um redemoinho de medo, culpa e algo mais profundo, mais antigo, que ela ainda não sabia nomear. — É que eu... eu — a voz embargada, quase inaudível. Alerrandro permaneceu em silêncio, os olhos fixos nela, como se o cérebro se recusasse a processar o que acabara de ouvir. — Eu não sou a sua esposa... — completou, com um fio de voz, os olhos marejados. — O que você disse?... — Ele desviou o olhar por um segundo, como se buscasse no ar uma explicação plausível, depois voltou-se para ela, pousando a mão em seu braço com firmeza. — Como assim?... Do que está falando, Lorena!? Milena se levantou da cadeira, o prato com o bolo ainda sobre a mesa. Engoliu em seco, sentindo a garganta arder. — Desculpa, Alerrandro... — Desculpa? — ele repetiu, num sussurro carregado de
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