Alerrandro se jogou na poltrona diante de Milena, os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos entrelaçadas, os olhos fixos nela como lâminas. O silêncio entre os dois era espesso, cortante.
— Então... estou esperando! — murmurou, a voz baixa, mas carregada de fúria contida. — O que realmente aconteceu? Você sabia disso? Sabia que tinha uma irmã gêmea?
Milena engoliu em seco. O rosto dela era um retrato de angústia — os olhos marejados, as mãos trêmulas sobre o colo. Ela sustentou o olhar dele, mesmo que tudo dentro de si gritasse para fugir.
— Não! — disse, com firmeza, mas a voz vacilava. — Eu juro! Naquela noite... eu estava trabalhando como garçonete. Você apareceu... me confundiu. Eu achei estranho, mas... eu não consegui te dizer. Eu queria, mas... não consegui.
Alerrandro se levantou de súbito, como se o corpo não suportasse mais ficar parado. Passou a mão pelos cabelos, os passos pesados ecoando pela sala.
— Droga! — murmurou entre dentes. — Vou tomar um banho, me trocar e sair!