O sol finalmente despontava no horizonte, tingindo o céu com tons dourados e alaranjados. A luz suave atravessava as cortinas do apartamento, invadindo a sala com uma claridade morna. Alerrandro ainda estava no sofá, o corpo levemente encolhido, como se tentasse se proteger do peso da noite anterior.
A madrugada havia sido um turbilhão. O cansaço físico do trabalho era apenas a superfície, o verdadeiro esgotamento vinha da confusão mental que o consumia. Verônica, em prantos, desabando em seus braços... e Lorena, sua esposa, tão diferente, tão distante. Algo não se encaixava. Algo estava fora do lugar.
Sem perceber, ele havia adormecido ali mesmo, vencido pelo cansaço e pelas emoções.
Alguns minutos se passaram até que ele despertasse. Os olhos abriram devagar, pesados. Passou as mãos pelos cabelos, agora completamente bagunçados, e soltou um murmúrio:
— Meu Deus... — disse, sentindo uma leve pontada na cabeça. Olhou para o relógio sobre a estante. — A noite passou tão depressa que pa