Narrativa: Lisa Deluca
O corpo começou a falhar antes que eu estivesse pronta para admitir.
Não foi de uma vez. Não foi dramático. Foi como uma luz que começa a piscar, avisando que em breve vai se apagar. Um cansaço que não passava com descanso. Um peso nos braços. Uma dificuldade nova para respirar fundo. Pequenas traições do próprio corpo, uma após a outra.
Eu sentia.
E, por sentir, soube que era hora.
As cartas não eram sobre o fim. Nunca quis que fossem. Não queria deixar palavras que soassem como despedida, nem frases que ferissem mais do que consolassem. Eu queria deixar amor. Apenas isso. Amor em papel, para que pudesse ser tocado quando eu já não pudesse.
Pedi ajuda a Elena.
Ela não questionou. Nunca questionava quando entendia que algo era importante demais para ser interrompido por perguntas.
Sentamos à mesa do quarto, à tarde, com a luz suave entrando pela janela. Meu corpo precisava de pausas constantes, mas minha mente estava estranhamente clara. Como se tudo que realmen