Narrativa: Adriano Viscari
O silêncio do cativeiro era quase palpável, denso, sufocante. Cada som se ampliava, reverberando pelas paredes nuas e frias, como se cada eco me cutucasse com culpa e medo. Lisa estava sentada no colchão sujo, enrolada em cobertores que mal disfarçavam sua fragilidade. Cada minuto que passava desde a crise a tornava mais vulnerável, mais humana, e isso me deixava perturbado de um jeito que eu jamais imaginei sentir por alguém que, tecnicamente, era minha “vítima”.
Eu não sabia como lidar com ela. Anos na máfia me ensinaram a lidar com sangue, mentiras, mortes… mas não com alguém que estava prestes a se esvair da vida, alguém cujo corpo frágil podia ceder a qualquer momento. Lisa não era uma refém comum; ela era delicada como vidro, e cada respiração parecia um desafio.
— Precisamos… — comecei, a voz baixa, quase um sussurro, com o peso da responsabilidade me esmagando — precisamos de colchões novos. Cobertores esterilizados. Toalhas limpas. Qualquer coisa qu