Narrado por Sofia Deluca
Eles acham que sabem quem eu sou.
A órfã acolhida.
A sobrinha sem sobrenome forte o suficiente.
A sombra no canto das fotos de família.
A presença tolerada em festas da máfia, sempre bem-vestida, sempre educada, sempre no lugar certo para não incomodar demais.
Mas eles não sabem.
Não sabem o quanto eu observei em silêncio.
O quanto aprendi ficando calada.
O quanto engoli as palavras que queimavam na garganta cada vez que alguém chamava Lisa de princesa da máfia, como se o mundo tivesse sido desenhado exclusivamente para girar ao redor dela.
Lisa sempre teve tudo.
O amor incondicional de Don Marcello.
O carinho protetor dos irmãos.
O respeito automático dos homens mais perigosos da Europa.
E agora… agora, até Alejandro Serrano.
Me olham como se eu fosse feita de aço.
Mas até o aço quebra quando é forjado no abandono.
Aprendi cedo que ninguém sente pena de quem sobrevive.
Aprendi cedo que força demais assusta, e fragilidade demais é desprezada.
Então me tornei o