Narrado por Marcello Deluca
A ligação dela ainda ecoava na minha mente como uma sentença que eu não queria ouvir. O “Ciao, papà” carregava um tom diferente. Era mais do que saudade. Era desespero contido, medo mal disfarçado.
Assim que desliguei o telefone, o aparelho escorregou das minhas mãos e caiu sobre a mesa de mogno do hotel. Por um momento — cruel, impiedoso — eu não consegui respirar.
Eu conheço meus filhos. Cada tom de voz, cada pausa não dita. E naquela noite, Lisa me pediu socorro com palavras que não ousou dizer:
“Eu… tô morrendo, papai… mesmo negando… mesmo escondendo… mesmo fugindo…”
Aquelas palavras me atravessaram como lâminas. As lembranças da mãe dela, do quarto frio de hospital, dos últimos suspiros… tudo voltou. Eu a perdi uma vez. Agora, o destino queria levar minha filha do mesmo modo.
Não.
Levantei-me imediatamente. Liguei para meu assessor e cancelei tudo. Reuniões, contratos, o mundo inteiro podia esperar. Meus filhos não. Lisa não.
No avião, com as luzes apa