O hospital penitenciário ficava longe do centro. Tão longe quanto era possível dentro dos limites da cidade — como se a dor e a loucura merecessem exílio. Lá, o silêncio era mais profundo. Lá, a morte costumava esperar deitada, respirando devagar ao lado das camas brancas.
Helena estava ali há mais de uma hora, sentada em uma poltrona desconfortável no corredor estreito do terceiro andar. Os olhos fixos na porta fechada da UTI. Nada se movia. Nenhuma voz vinha. Só o bip insistente, frio, mecâni