Dante acordou de sobressalto.
O corpo inteiro reagiu primeiro, antes da mente entender. Sentiu algo quente encostado ao seu lado e, num reflexo automático, levou a mão ao coldre inexistente, franziu a testa e mordeu o lábio inferior, por conta da dor.
Só então se virou devagar.
Era Angeline.
Dormindo apoiada nele, respirando de forma leve, quase infantil. Uma mecha caída sobre o rosto. O coração acelerado desacelerou e voltou a acelerar de novo por outro motivo.
Com cuidado, afastou a mecha e a colocou atrás da orelha, pequena, delicada, quase translúcida sob a luz do fim da tarde. O gesto foi suave, íntimo, e ele se viu prendendo a respiração.
Levantou-se devagar, tentando não acordá-la.
O sol já se punha atrás das janelas.
"Droga… dormi demais" Pensou, massageando o ombro dolorido.
Caminhou até o banheiro do corredor. Jogou água fria no rosto.
Quando ergueu o olhar para o espelho, a lembrança veio como um golpe:
“Meu celular sumiu.”
As palavras de Angeline.
Ele havia disfarçado be