Angeline acordou e abriu os olhos devagar, ainda sonolenta. A luz azulada do início da noite entrava pelas frestas da janela. A mansão estava silenciosa, tão silenciosa que ela quase podia ouvir a própria respiração.
Sentou-se na cama e bocejou.
— Ainda com sono? Ouviu Dante perguntar, sua voz grave vindo da porta.
Ela sorriu de leve, meio preguiçosa:
— Não… só preguiça mesmo. Dormi demais. Você podia ter me acordado.
— Você precisava descansar. Ele disse, aproximando-se. — Foram dias difíceis… e conturbados.
Dante estendeu a mão com algo. Ela só percebeu quando o objeto tocou seus dedos.
Seu celular.
— Oh… você o encontrou. Ela murmurou, surpresa.
Ele assentiu, mas seus olhos não deixaram o rosto dela.
Um silêncio breve, denso.
— No dia em que você fugiu… Dante começou, direto, sem rodeios. — O que exatamente aconteceu?
O peito dela apertou. As lembranças voltaram como um golpe frio.
— Me desculpe… Disse baixinho, abaixando os olhos. A culpa ainda queimava por dentro; pensar que ele