Ponto de Vista de Mara
Eu estava deixando de ser humana.
A constatação não veio como um choque, nem como medo imediato. Foi algo lento, quase imperceptível, como a maré que recua sem que ninguém perceba até que a areia fique exposta. Eu sentia isso em pequenos detalhes: no modo como o tempo parecia diferente, na forma como emoções humanas já não me dominavam como antes, e principalmente no silêncio dentro de mim — um silêncio antigo, vasto, poderoso.
Apolo e Arthur dormiam profundamente ao meu lado.
Seus corpos quentes, seus braços firmes ainda ao meu redor, como se mesmo dormindo tentassem me manter ali, ancorada àquele quarto, àquela vida. O quarto estava mergulhado em penumbra, iluminado apenas pela lua que entrava pela janela, desenhando sombras prateadas nas paredes.
Observei seus rostos por um momento.
Eles pareciam tão jovens assim, vulneráveis no sono. Dois alfas, temidos por muitos, mas completamente expostos ali, comigo. Meu coração — ou o que ainda restava dele human