Capítulo 145
Manuela Strondda
Eu odiei ficar do lado de fora.
Não foi só pela curiosidade — embora ela estivesse queimando dentro de mim como febre. Foi pela humilhação silenciosa de saber que três homens decidiram a minha vida atrás de uma porta fechada, enquanto eu era deixada no corredor como se fosse uma criança birrenta que não merecia ouvir a própria sentença.
E o pior: eu ouvia.
Não cada palavra, mas o suficiente. Vozes abafadas. Pausas longas. O timbre grave de papà. A calma venenosa de Vinícius. E, de vez em quando, aquela voz dele — firme, controlada, como se o mundo inteiro coubesse na palma da mão.
O maledetto Hugo Lindström.
Eu caminhava de um lado pro outro, unhas apertando a palma da mão, sentindo o sangue pulsar na ponta dos dedos. E atrás de mim, como se eu já não estivesse explodindo, vinham os sussurros.
Minha mãe e Lucia.
— Eu avisei — mamãe resmungou, baixo — Eu sabia que isso daria ruim.
— Ela não fez por mal, signora — Lucia tentou, mas eu ouv