Capítulo 144
Hugo Monteiro Lindström
O escritório da Strondda cheirava a couro caro. A mobília era de madeira antiga.
Não era só a decoração. Era o lugar em si. Um território poderoso, mas que já estou acostumado.
Antony Strondda entrou primeiro, passos firmes, ombros largos, aquela presença de patriarca que não precisava levantar a voz pra comandar, assim como eu. Vinícius veio logo atrás — silencioso, predador, olhos ágeis. Eu fechei a porta com calma, sem pressa. Sem pedir permissão. Porque eu não entrava na sala de outro homem como convidado.
Eu entrava como igual.
— Sente-se — Antony apontou para uma das poltronas diante da mesa.
Caminhei até o móvel de bebidas, observei por um segundo os rótulos alinhados.
Eu não estava ali pra agradar.
— Capo da Suíça… — Antony começou, como se testasse a palavra na boca. — Não é um título comum.
— Não gosto do comum — respondi, encostando a lateral do corpo no aparador. — E por isso eu vim pessoalmente hoje. Já passou da hora de resolvermos