Capítulo 162
Manuela Strondda
Ignorei Hugo do jeito mais eficiente que conheço: virei as costas sem responder.
O silêncio atrás de mim era pesado, mas não me dei ao trabalho de confirmar se ele ainda me observava. Fui direto até a mala, ajoelhando no tapete espesso do quarto com um movimento seco, pouco gracioso — de propósito. Abri o zíper com força demais e comecei a revirar tudo.
Merda.
Treino. Jeans. Camisetas. Um casaco funcional demais. Roupas pensadas para lua de mel, não para impressionar bilionários em salas douradas. Senti um aperto no estômago, metade irritação, metade desafio.
Não ia dar esse gostinho a ele. Nem a ninguém.
Minhas mãos desaceleraram quando encontrei o vestido preto dobrado no fundo. Básico. Simples. Justo na medida certa para marcar o corpo sem parecer um pedido de atenção. O tipo de vestido que não implora — exige que olhem.
Expirei devagar.
Levantei-me com cuidado, ainda sentindo o corpo reclamar em pontos específicos. Coloquei um