Capítulo 161
Manuela Strondda
Ainda deitada, com o corpo pesado e aquela sensação estranha de depois — mistura de cansaço, calor e um incômodo novo —, levei a mão até ele sem pensar. Foi automático, quase um reflexo bobo. Um carinho simples, distraído. Nada além disso.
A mão não chegou.
Hugo segurou meu pulso com dois dedos e afastou com firmeza suficiente para não ser rude, mas clara o bastante para ser definitiva.
— Vou tomar um banho. — disse, já se afastando. — Tem dois banheiros nesse quarto.
E levantou.
Assim. Do jeito sério dele. Sem olhar pra trás, sem um segundo a mais do que o necessário. A postura voltou a ser a de sempre: controlada, fechada, como se nada tivesse acontecido além de um acordo cumprido.
"Mas não é possível, é?"
Fiquei olhando o teto por alguns segundos, piscando devagar.
Sério isso?
Um calor de irritação subiu pelo meu peito. Não era carência. Não era expectativa romântica. Era… orgulho ferido. Ego, talvez. Depois de tudo, ele simp