De repente

Capítulo 167

Manuela Strondda

Francesca me olhou como se tivesse acabado de entender que o erro não tinha volta. Olhei pra conferir se tinha câmera, não tinha.

Os olhos dela percorreram o quarto rápido demais. Porta trancada. Nenhuma saída. Nenhuma testemunha. Só eu.

— Eu… eu preferia não ter te conhecido… — ela murmurou, a voz falhando.

Inclinei a cabeça, observando aquele tremor disfarçado de dignidade.

— Hm. — dei um passo à frente. — Então já sabe o que esperar?

Ela engoliu em seco.

— Não sei do que você está falando. — tentou se recompor, erguendo o queixo. — Mas se você não tivesse aparecido… o doutor Hugo teria casado comigo. Ele nunca quis você.

Aquilo foi quase engraçado.

Sorri devagar. Respirei fundo. Dei mais dois passos.

A puttana não fazia ideia de quem eu era.

Cheguei perto o suficiente para sentir o cheiro de antisséptico misturado com medo. Num movimento seco, enfiei a mão no coque preso pela touca de enfermagem e puxei para trás, fazendo a
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