As contas

Capítulo 166

Manuela Strondda

O corpo ainda estava quente.

Não de sono, de Hugo.

Eu continuei deitada por alguns minutos depois que ele se afastou, sentindo o peso do que tinha acabado de acontecer se acomodar devagar dentro de mim. A respiração voltou ao ritmo normal antes da cabeça. Sou sempre assim. Meu corpo aceitava primeiro. A mente vinha depois, desconfiada, tentando entender onde tinha pisado. Ainda mais nesse mundo novo de casada.

Hugo já não estava mais nu.

Vestia-se com a mesma precisão com que fazia tudo: camisa escura, movimentos contidos, silêncio estratégico. Era quase perturbador ver como ele conseguia mudar de registro tão rápido — do homem que me conduziu sem pressa, ao Corvo frio que resolvia assuntos como se emoções fossem um detalhe inconveniente.

— Não vamos levar malas? — perguntei, sentando devagar.

Ele nem olhou para trás quando respondeu:

— Não precisa. Você nem vai descer do jato. É coisa rápida.

Aquilo me incomodou mais do que eu gos
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